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Situação da saúde no Brasil evidencia ainda mais o papel do médico humanista

A pandemia do novo coronavírus – e os dilemas que se apresentam com a superlotação de leitos de UTI – tem mostrado, mais do que nunca, que a relação médico-paciente tem de mudar, tem de se humanizar. E agora vai ser na marra. Dados do worldometer revelam que só nos Estados Unidos foram registrados mais de 140 mil casos e na Itália, quase 98 mil. O Brasil tem mais de quatro mil casos, mas a população se mostra apreensiva, já que há tempos a pirâmide brasileira se inverteu e o país tem hoje milhares de cidadãos acima de 60 anos – além daqueles que fazem parte dos grupos de risco.

Neste cenário, que implica num contato mais intenso e frequente entre médicos e pacientes infectados pelo covid-19, cabe aos hospitais usar de todos os meios possíveis para também proteger seus profissionais – até mesmo para que eles continuem trabalhando. Seja como for, neste momento há consenso de que o hospital não é um lugar para tratar pacientes, mas um centro de agravamento do problema – empregando todos seus esforços para salvar vidas. Por outro lado, como está o atendimento dos

doentes crônicos e pacientes em cuidados paliativos?

De acordo com o médico Pablo González Blasco, sócio-fundador da Sobramfa - Educação Médica e Humanismo – centro de excelência em ensino complementar de Medicina – a situação evidencia ainda mais o papel do médico humanista, aquele profissional que se difere dos demais porque está a par do histórico de saúde de cada paciente que trata, chama todo paciente pelo nome e conhece sua família e sua real situação de vida. “O médico humanista trata o doente, não a doença. Portanto, mesmo em meio à atual situação, é importante que se estabeleça uma comunicação franca com cada paciente – propondo medidas para que não se sintam desamparados”.

Autor de mais de uma centena de publicações apresentadas em conferências nacionais e internacionais sobre Educação Médica, Humanismo e Medicina, e Educação da Afetividade através do Cinema, Blasco revela CINCO lições que a medicina centrada no paciente ensina:

1. Não é possível humanizar a medicina sem humanizar o médico. “É hora de se comprometer a pensar sobre educação em medicina centrada no paciente como uma força renovadora que nos leva à excelência. A credibilidade dessa especialidade exige esforço. Os pacientes, que confiam no médico humanista, merecem isso. O humanismo penetra capilarmente na ação médica por meio de recursos que permitem ao profissional harmonizar a técnica com o humanismo, em parceria produtiva”;

2. É preciso promover a valorização do médico humanista nas universidades. “Podemos afirmar que o baixíssimo interesse das universidades pela Medicina centrada no paciente não passa despercebido por jovens médicos que se formaram. Naturalmente, eles acabam se voltando para outra direção. Criar esse médico implica numa mudança de paradigma educacional. Não é preciso muita reflexão para entender que você não pode ensinar o que, de fato, não é mostrado e demonstrado na prática. Por isso, novos modelos de aprendizagem devem ser instalados nas Faculdades de Medicina”;

3. Habilidades de comunicação fazem toda a diferença na formação de um médico. “É necessário que o médico humanista desenvolva habilidades de comunicação e aprendizagem para trabalhar com pacientes e suas famílias. No treinamento convencional das escolas de medicina esse aspecto não é devidamente trabalhado. Portanto, acredita-se que médicos de família possam ensinar estudantes, já que se trata de uma especialidade essencialmente humanista – que promove reflexão para que os alunos elaborem suas próprias opiniões e progridam em seus próprios conhecimentos”.

4. O médico humanista se conhece a fundo e por isso está aberto a conhecer os que o cercam. “Aprender a se conhecer implica em melhor acordo com colegas e outros especialistas, em desenvolver habilidades como educador, aprender a trabalhar com hierarquia e prioridades, melhorando a capacidade de gerenciamento e decisão. O privilégio de poder cuidar das pessoas não é para todos. Deve ser uma verdadeira decisão profissional ponderada, que traz consigo a opção de vida correspondente”.

5. O paciente é o ponto de partida de qualquer tentativa de humanização. “Sem contemplar o paciente, coisa que todo profissional da saúde deve fazer independentemente da sua área ou especialidade, não há humanização possível. O estudante da área da saúde, que entra na faculdade com ideais humanitários, com frequência vai se distanciando aos poucos desses ideais até se esquecer completamente do verdadeiro motivo que o conduziu a abraçar a carreira (Medicina, Psicologia etc.). Entender esse processo ‘desumanizante’ é fundamental. As artes e humanidades – principalmente o Cinema como recurso educacional – são elementos clássicos na formação humanística dos profissionais da saúde e contribuem grandemente para se entender o outro – que, na prática, é o paciente”.


Fonte: Prof. Dr. Pablo González Blasco – médico humanista, sócio-fundador da Sobramfa - Educação Médica e Humanismo (www.sobramfa.com.br).

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