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Economia de água: indústria de lavanderia largou na frente

https://www.bbc.com/news/business-45711230


À medida que a escassez de água se torna mais comum em todo o mundo, a indústria de lavanderia está sob pressão para reduzir o consumo desse precioso recurso e, principalmente, minimizar seu impacto ambiental.


Quando Charl de Beer, voltou para a África do Sul, ele fundou uma empresa com o objetivo de alugar roupas de cama para os 18 mil anfitriões da Airbnb na Cidade do Cabo. Mas a cidade sofreu uma crise de escassez de água que ameaçou seu negócio - seus custos de água quadruplicaram em um ano. "Para quem tem um negócio, isso é catastrófico", diz ele. Felizmente, ele se deparou com uma nova tecnologia - esferas de polímero para substituir a água - que aparentemente poderia reduzir a quantidade de água utilizada em até 80%.


A empresa de tecnologia britânica Xeroscomeçou a vender essas máquinas de lavar roupa especialmente projetadas (Hydrofinity) com base em pesquisas científicas da Universidade de Leeds, no Reino Unido. Polímeros de nylon "têm uma polaridade inerente que atrai manchas" e podem substituir a maior parte da água em um ciclo de lavagem, diz Stephen Burkinshaw, diretor de química têxtil da universidade.


Depois de colocar a roupa, o tambor adiciona cerca de 23.000 pequenas esferas de polímero - que a empresa chama de XOrbs- com um peso total em torno de 6 kg, além de uma xícara de água e detergente. As esferas absorvem as manchas, são coletadas através do tambor, e depois são armazenadas atrás dele para serem reutilizadas na próxima vez.


A máquina doméstica usa 50% menos água do que uma lavadora convencional, enquanto a versão comercial, que usa 70.000 esferas pesando 20 kg, usa 80% menos. Charl de Beer se interessou em distribuir as máquinas de lavar roupa na África do Sul, apenas para que ele mesmo pudesse comprá-las. Uma única máquina industrial de 25 kg com 14 ciclos por dia pode economizar dois milhões de litros de água por ano, diz ele. Na Cidade do Cabo, isso economiza 177.500 rands (US$ 12.547).


Fabricantes de máquinas de lavar roupa podem integrar a tecnologia "muito, muito simplesmente" em seus produtos, diz Mark Nichols, executivo-chefe do Xeros Technology Group. A Xerosestá atualmente trabalhando no licenciamento de sua tecnologia para sete fabricantes globais de máquinas de lavar roupa, diz Nichols, e suas máquinas estão sendo adotadas por hotéis em países secos como os Emirados Árabes Unidos.


Os setores intensivos em água - como hotéis, hospitais, fornecedores de serviços de lavanderia – há muitos anos estão ansiosos por redução de consumo. A Mission Linen Supply, uma empresa de uniformes sediada na Califórnia, diz que economizou 141 milhões de galões de água em 2017, ganhando um prêmio de "Herói da Água" da cidade de Santa Bárbara, afetada pela seca.


Durante uma semana movimentada nos meses de verão, a empresa pode processar até 77 mil quilos de uniformes, toalhas e lençóis, diz a empresa, tornando a economia de água um negócio de excelência, além de ambiental e objetivo. Ao longo dos anos, aperfeiçoou um sistema de reciclagem e reutilização de água de enxágue, reduzindo o consumo em aproximadamente metade de uma típica lavadora doméstica. A empresa também trata a água residual antes de enviá-la de volta para o suprimento da cidade.


Enquanto isso, outras empresas estão desenvolvendo maneiras de limpar roupas com quase nenhuma água. A gigante de bens de consumo Unilever, por exemplo, produziu um spray chamado Day2 que funciona como xampu seco, projetado para refrescar as roupas que ficam no chão, no encosto de uma cadeira, mas que não estão tão sujas assim. Não vai funcionar para meias sujas de lama, diz Clare Dolan, diretora executiva da Day2 e diretora global de inovação em água, mas para camisas, digamos, "ele absorve cheiros, deixa as fibras macias, suaviza os amassados e refresca as roupas para usar novamente sem precisar lavar". Uma embalagem do spray pode economizar 60 litros de água, diz ela.



E a suíça Dolfi criou um dispositivo que limpa tecidos delicados usando ultrassom para agitar uma pequena quantidade de água e detergente. Apesar de seu nome enganoso, a indústria de lavagem a seco também usa muita água - usada na forma de vapor - sem mencionar o potencial carcinogênico.

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