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Exercícios físicos sem supervisão comprometem articulações

Atualizado: 29 de Set de 2018


Muitos problemas de saúde são gerados, entre outras coisas, pelo sedentarismo. É verdade que, aos poucos, o brasileiro está fazendo alguma coisa nesse sentido. Não só os jovens, mas também quem já passou dos 50 anos de idade, têm se matriculado em academias de ginástica e musculação, dança e Crossfit para ter um corpo mais bem definido, ganhar mais resistência física e mais saúde em geral. Na contramão, isso tem se refletido no aumento do volume de pacientes nas clínicas ortopédicas. De acordo com o médico ortopedista Lafayette Lage é bastante expressivo o número de pessoas que sofrem lesões principalmente por dois motivos: 1. Nunca se consultaram com um ortopedista para avaliar todas as articulações; 2. Não recebem supervisão profissional adequada nas academias.


“Um exame simples poderá avaliar as condições das articulações dos ombros, quadris, joelhos, tornozelos, pés, mãos, cotovelos e punhos, além da coluna cervical, torácica e lombar. Todos esses pontos costumam sofrer agressões de movimentos bruscos e repetitivos, formando lesões que muitas vezes só são tratadas com cirurgia. Melhor do que tomar remédio e fazer cirurgia é agir preventivamente. Sendo assim, toda pessoa deveria atrasar uma ou duas semanas a matrícula na academia para se consultar antes com um ortopedista. Até mesmo pessoas que começam a fazer caminhadas por recomendação do cardiologista podem lesionar os joelhos caso eles sejam voltados para fora ou para dentro, por exemplo. Por isso, é fundamental conhecer as condições físicas reais antes de se entregar à prática de exercícios físicos ou esportes de impacto”, afirma o médico.


Um dos exercícios mais populares nas academias e que gera muitas queixas é o abdominal. Na opinião do ortopedista, a maioria das pessoas tem dificuldade em elevar a cabeça sem forçar o pescoço. “Quando a pessoa é supervisionada por um profissional competente, ela aprende a evitar esse tipo de erro, aprende a se proteger. Muitas vezes, além de forçar o pescoço, a pessoa ainda faz os movimentos com as pernas estendidas – um erro muito grave. O ideal, neste caso, é fazer abdominais com as pernas flexionadas. Só assim é possível preservar um músculo muito importante e estabilizador do corpo humano: o psoas. Gerador de força, esse músculo flexor do quadril pode comprometer a coluna lombar quando lesionado”.


O leg press, fundamental no fortalecimento muscular das pernas, é outra fonte de preocupação dos médicos ortopedistas. “Esse é um dos grandes vilões do quadril. Levando em consideração que 15% das pessoas sofrem de ‘Síndrome do Impacto Femoroacetabular’ – condição em que os ossos do quadril têm um formato alterado, que não propicia um encaixe perfeito e favorece o atrito entre eles – é muito comum que esse tipo de exercício contribua para a destruição da cartilagem no médio prazo. Para evitar esse tipo de situação que só é resolvida com cirurgia, é indicado checar se o alinhamento da articulação favorece lesões antes de começar a praticar esse e outros exercícios que envolvam movimentos de agachamento. Neste sentido, existe inclusive uma manobra específica e muito rápida para diagnosticar alterações anatômicas no quadril”, alerta o médico.


A esta altura, pode parecer que andar na esteira e fazer bicicleta (spinning) são os exercícios mais seguros das academias. Mas não é bem assim! “Muitos pacientes que só fazem esteira se queixam de dores nas costas. Por quê? Má postura”, diz Lage. De acordo com o especialista, é fundamental manter uma postura ereta, evitando olhar para o monitor à frente ou para baixo. O médico ainda adverte sobre os riscos que movimentos do tipo polichinelo ou equipamentos abdutores representam para as articulações dos ombros. “As pessoas têm mania de abrir ou elevar bem os braços, mas há um risco de lesão muito grande nesse tipo de treino. Sendo assim, menos é mais. De modo geral, a amplitude dos movimentos tem de ser menor do que vem sendo praticada pelas pessoas. E tem mais: ‘aquecer sempre antes e alongar sempre depois’ deve ser um mantra praticado toda vez que se vai a uma academia”.

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