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Covid-19 manda restaurantes para UTI

O segmento de bares e restaurantes se revelou um dos mais resistentes frente à crise econômica do último ano, que – mesmo não aparecendo claramente em números – mostrou índice de crescimento próximo de zero. Dados do Sebrae indicam que o segmento de “alimentação fora de casa” vinha mantendo crescimento anual de 10%. Mas toda resistência tem limite e parece que o coronavírus já está mandando muitos restaurantes para a UTI. A partir desta semana, por recomendação do Ministério da Saúde, mais do que lavar sempre as mãos e tossir apoiado na parte interna do cotovelo, as pessoas devem evitar ao máximo o contato social. Na opinião do consultor Andre Rodrigues, da Loudtt Consultoria de Inovação em Alimentos e Bebidas, não é hora para desespero, mas os empresários do setor devem analisar o que pode ser feito para evitar uma queda brusca na receita.

“Esse segmento gera quase 500 mil novas oportunidades de trabalho todos os anos no Brasil – sendo que metade disso diz respeito à profissão de garçom. Não importa se grande ou pequeno, restaurantes do mundo todo estão fechando as portas. Dependendo de como se desenrolar a pandemia, alguns deles nem devem reabrir. Trata-se de um gigantesco problema, nunca antes observado. Por isso é tão importante manter a calma e a sensatez, lançando mão de medidas que possam ir ao encontro das necessidades da população. Uma delas é criar condições de fornecer grande parte do menu no sistema delivery, tomando o cuidado de elevar a barra das medidas de higiene que já deveriam estar sendo praticadas. Outra é o sistema ‘food-to-go’ – em que o cliente mesmo encomenda e passa para buscar o pedido num ambiente livre de contato. Além disso, é importante garantir condições para que funcionários e entregadores trabalhem e se desloquem em segurança”, afirma Rodrigues.

Na opinião do consultor, quando o segmento de alimentação vai mal, ocorre um efeito dominó que impacta fortemente outros setores da economia. “Apesar do aumento expressivo de entregas em domicílio, haverá grandes e onerosos imóveis largados às moscas. Isso poderá impactar ainda mais negativamente o segmento imobiliário – que já vinha amargando resultados ruins nos últimos dois anos. Também a rede de produtos e serviços voltada para o segmento de alimentos e bebidas será comprometida. Por fim, como se trata de um surto sem data marcada para acabar, é preciso acompanhar o que vai acontecer com cada público-alvo. Afinal, em tempos de recessão, o tíquete médio para gastar em restaurantes pode ser expressivamente reduzido”.

Restaurantes no formato buffet são os mais impactados à primeira vista. Depois, pequenos negócios, como hamburguerias, bristrôs e pizzarias. Isso, de acordo com Rodrigues, acontece porque as margens de lucro desses pequenos negócios são muito baixas – em contraposição aos encargos e taxas. “Restaurantes em sistema buffet e self-service devem avaliar a possibilidade de reformatar o negócio em caráter de urgência, talvez fechando as portas para o público e implantando sistema de entregas de comida caseira e saudável – bem na linha das ‘cozinhas fantasmas’, que vêm dando muito certo. Isso vale para todos os outros negócios pequenos, que geralmente são impactados por uma única semana ruim. Como estamos falando de algo que pode levar dois, três ou mais meses, dentro do possível é preciso ser criativo na crise”, ressalta o consultor.

De acordo com a National Restaurant Association, nos Estados Unidos, antes mesmo de se falar em coronavírus, até o final deste ano cerca de 70% dos clientes de restaurante vão pedir comida por aplicativo, fazendo o serviço de delivery crescer mais ainda. A geração Y, que tem entre 25 e 40 anos, é a que mais impulsiona o negócio e num futuro próximo o pedido será entregue por veículos autônomos e até por drones. “Com tudo isso em mente, muitos restaurantes já devem nascer sem espaço público para receber clientes. Mas esse tipo de cozinha fantasma, 100% dedicada ao delivery, apesar de ser tendência, ainda carece de maturidade e normas próprias”, conclui Rodrigues.




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